ATENDIMENTO HUMANIZADO EM CARTÓRIOS: DIFERENCIAÇÃO OU OBRIGAÇÃO?


Paula Brito - 25/02/2025

A prestação de serviços extrajudiciais desempenha um papel fundamental na sociedade, garantindo segurança jurídica e facilitando o exercício da cidadania. Nesse contexto, a forma como os cartórios se relacionam com os usuários de seus serviços pode impactar diretamente a percepção de qualidade e confiança no setor. O atendimento humanizado, que valoriza a escuta ativa, o respeito e a empatia, deve ser tratado como um diferencial competitivo ou uma obrigação dos notários e registradores?

O conceito de atendimento humanizado

O atendimento humanizado vai além da mera cordialidade. Trata-se de uma abordagem que coloca o usuário no centro do serviço, compreendendo suas necessidades específicas e oferecendo um suporte claro e eficiente. Em um ambiente muitas vezes formal, como o dos cartórios, essa postura pode fazer toda a diferença para pessoas que enfrentam momentos delicados, como um inventário, um divórcio ou entre outros atos essenciais para regularização da vida civil.

A obrigação legal do bom atendimento

A humanização no atendimento não é apenas uma questão de estratégia, mas também um dever imposto pela legislação e normativas que regem os serviços notariais e registrais. O artigo 30 da Lei nº 8.935/1994 estabelece que os notários e registradores devem prestar seus serviços com eficiência, urbanidade e presteza.

O Provimento nº 74/2018 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também determina padrões mínimos de tecnologia e segurança para os serviços extrajudiciais, garantindo um atendimento ágil e eficiente. Assim, o atendimento humanizado, ao integrar boas práticas de comunicação e acolhimento, não é apenas um diferencial, mas um requisito para cumprir as diretrizes que norteiam o funcionamento dos cartórios.

A humanização como diferencial estratégico

Ainda que o atendimento humanizado seja uma obrigação implícita na prestação de serviços notariais e registrais, seu aprimoramento pode se tornar um grande diferencial competitivo. Cartórios que investem em treinamento de equipe, comunicação clara e acessível e em processos que reduzam o tempo de espera e burocracias desnecessárias se destacam na experiência do usuário.

A digitalização dos serviços extrajudiciais, impulsionada pelo e-Notariado e outras plataformas eletrônicas, trouxe novos desafios e oportunidades para a humanização no atendimento. O uso de canais de comunicação eficientes, como WhatsApp e e-mail, combinado com um atendimento presencial atencioso, garante que os usuários sintam segurança e proximidade, mesmo em interações virtuais.

*Imagem: Getty Images

Fonte: Blog do DG


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