“NOVAS SOLUÇÕES DIGITAIS CONTRIBUEM PARA REDUZIR A INADIMPLÊNCIA AO FACILITAR A COMUNICAÇÃO DIRETA ENTRE CREDORES E DEVEDORES”


Paula Brito - 26/02/2025

Sociólogo e cientista político (PUC-SP), mestre em Economia (Sorbonne), Renato Dolci atua há mais de 15 anos com marketing digital, dados e pesquisas de comportamento do consumidor. Foi responsável por dados digitais na presidência da República (2015-2017), consultor de vendas digitais do Banco do Brasil, FIESP, Mercedes, Microsoft, Itaú, Bradesco, Caixa, Disney e diversas empresas. Foi sócio do BTG Pactual e CEO da Decode, empresa de aquisição digital do grupo.

Já liderou o desenvolvimento de centenas de esteiras digitais de venda voltadas para produtos financeiros com foco em performance e autoatendimento.

Em entrevista à Revista Cartórios com Você, o CEO da Ineo, Renato Dolci, que também é especialista em data science e transformação digital, fala sobre a solução Resolve, suas peculiaridades e desafios enfrentados no âmbito dos Cartórios de Protesto.

De acordo com ele, “novas soluções digitais contribuem para reduzir a inadimplência ao facilitar a comunicação direta entre credores e devedores”.

CcV - Quais são os principais objetivos do IEPTB ao promover novas plataformas, como a Resolve, para a regularização de dívidas no Brasil?

Renato Dolci - O principal objetivo do IEPTB ao lançar novas interfaces como a Resolve é facilitar a regularização de dívidas por meio de uma interface digital intuitiva e acessível, aproximando credores e devedores de forma ágil e segura. Além disso, busca-se promover a desjudicialização dos processos de cobrança, oferecendo soluções extrajudiciais mais eficientes e economicamente vantajosas para todas as partes envolvidas. Vale reforçar que a Resolve foi concebida em absoluta interconexão com a Cenprot, que é a única plataforma do Protesto. Sua função é renovar a cara do protesto no ambiente digital, a fim de criar soluções mais conectadas com as melhores práticas de usabilidade de mercado e trazendo uma interface amigável e tecnológica para diminuir as fricções nos processos de regularização de dívidas. Com estas soluções, você resolve na Cenprot e a Cenprot, resolve.

CcV - De que forma as novas tecnologias estão sendo integradas ao sistema de protesto de títulos para facilitar o acesso dos cidadãos à regularização de débitos?

Renato Dolci - As novas tecnologias tornam o sistema de Protesto mais acessível ao digitalizar e simplificar o processo de regularização. Interfaces como a da Resolve permitem que os cidadãos consultem débitos, negociem condições e realizem pagamentos de forma totalmente online, sem necessidade de deslocamento. A automação e o uso de Inteligência Artificial agilizam a identificação de pendências e a comunicação entre credores e devedores, enquanto a certificação digital assegura a autenticidade e segurança das transações. Além disso, a integração com bancos e Cartórios possibilita pagamentos e cancelamentos em tempo real, e o suporte mobile amplia o acesso a cidadãos que utilizam smartphones como principal ferramenta de conexão. Com notificações digitais e interfaces intuitivas, o sistema promove maior eficiência, transparência e inclusão, atendendo desde grandes empresas até cidadãos comuns.

CcV - Como as novas soluções digitais podem ajudar a reduzir o índice de inadimplência?

Renato Dolci - As novas soluções digitais contribuem para reduzir a inadimplência ao facilitar a comunicação direta entre credores e devedores, promovendo a resolução ágil de pendências. Ferramentas como a Resolve oferecem consulta de dívidas e opções de pagamento de forma prática e acessível, eliminando barreiras burocráticas. Além disso, notificações automatizadas lembram os devedores sobre prazos e acordos, incentivando o pagamento antes que as pendências se agravem. Outro fator importante é o impacto no score do Protesto, uma novidade do ecossistema: ao quitar débitos registrados em Protesto, o cidadão melhora seu histórico financeiro, abrindo oportunidades de crédito e consumo. A transparência e simplicidade do processo criam um ambiente favorável para negociações, diminuindo o impacto da inadimplência no mercado e na economia.

CcV - Quais são os principais desafios enfrentados pelo IEPTB na implementação dessas novas tecnologias, especialmente no que diz respeito à acessibilidade e segurança digital?

Renato Dolci - A implementação de melhorias digitais pelo IEPTB enfrenta desafios significativos relacionados à acessibilidade, segurança digital e questões regionais. Um dos principais entraves é a nacionalização da base de dados, devido às diferenças legislativas entre estados. Cada unidade federativa possui normas e procedimentos próprios para o Protesto de títulos, o que exige esforços para harmonizar processos e integrar sistemas de forma eficiente, garantindo que a plataforma funcione de maneira unificada em todo o país. Outro desafio crítico é a inclusão digital em um país com desigualdades de acesso à internet. Regiões mais remotas frequentemente enfrentam infraestrutura limitada, dificultando o uso de ferramentas digitais. Isso exige que o IEPTB desenvolva soluções híbridas, como atendimento presencial na ponta do próprio Cartório, para assegurar que o cliente possa encontrar acessibilidade em todos os seus pontos de contato com o Protesto. Além disso, a segurança digital é uma prioridade constante. A proteção de dados sensíveis de cidadãos e empresas requer investimentos em tecnologias avançadas, como criptografia e certificação digital, para mitigar riscos de ciberataques e garantir a confiabilidade do sistema. Equilibrar essas demandas com a criação de interfaces intuitivas, especialmente para usuários com pouca familiaridade tecnológica, é outro aspecto desafiador.

CcV - Qual é o papel do Protesto extrajudicial no contexto da regularização de dívidas, e como as novas tecnologias reforçam a eficácia desse mecanismo?

Renato Dolci - O Protesto extrajudicial é um mecanismo essencial para a cobrança de dívidas de forma legal e eficiente, preservando o direito do credor e promovendo a recuperação de créditos sem necessidade de ação judicial. As novas plataformas reforçam sua eficácia ao agilizar a comunicação e o cumprimento das etapas do processo, oferecendo ferramentas que conectam credores e devedores de maneira prática e resolutiva.

CcV - Quais medidas estão sendo tomadas para garantir que essas soluções sejam acessíveis para pequenas e médias empresas e cidadãos com menor familiaridade tecnológica?

Renato Dolci - Para garantir acessibilidade, o IEPTB tem investido em interfaces amigáveis e tutoriais detalhados para orientar os usuários. Além disso, iniciativas de capacitação, atendimento humanizado e parcerias com instituições locais têm sido implementadas para democratizar o acesso. A oferta de canais alternativos, como suporte telefônico e presencial, também é uma prioridade para atender às necessidades de quem tem dificuldade com ferramentas digitais.

Fonte: Revista Cartórios com Você


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